Do trauma de alta energia à fratura por fragilidade óssea — cada caso exige uma avaliação própria.
As fraturas da coluna vertebral abrangem situações bastante diferentes entre si. De um lado estão as fraturas por trauma de alta energia — acidentes de trânsito, quedas de altura, acidentes de trabalho. De outro, as fraturas por fragilidade óssea, que ocorrem em pacientes com osteoporose muitas vezes sem trauma significativo, às vezes apenas ao se abaixar ou carregar um peso moderado.
Essa distinção é fundamental, porque o mecanismo, o perfil do paciente e o tratamento são bem diferentes em cada situação.
São as mais frequentes na população acima dos 60 anos, especialmente em mulheres após a menopausa. O osso enfraquecido perde a capacidade de suportar a carga normal, e a vértebra sofre um achatamento — a chamada fratura por compressão.
O sintoma principal é uma dor nas costas de início súbito, bem localizada, que piora ao levantar, ao caminhar e ao mudar de posição, e melhora ao deitar. Muitos pacientes relatam que sentiram a dor aparecer em um momento específico, mesmo sem trauma aparente.
Com o tempo, fraturas repetidas levam à perda de altura e ao aumento da curvatura das costas — a corcunda característica. Além do aspecto estético, essa deformidade compromete a respiração, o equilíbrio e a qualidade de vida.
Nas fraturas de alta energia, a avaliação é diferente e mais urgente. O que determina a conduta é a estabilidade da fratura e a presença ou não de comprometimento neurológico.
Uma fratura estável, sem deslocamento e sem compressão das estruturas nervosas, pode ser tratada de forma conservadora. Já uma fratura instável, com risco de deslocamento progressivo ou com compressão da medula e das raízes, exige tratamento cirúrgico para estabilizar o segmento e proteger as estruturas nervosas.
Procure atendimento imediato após qualquer trauma na coluna acompanhado de perda de força, formigamento nas pernas ou braços, alteração no controle da urina e do intestino, ou dor intensa que impede o movimento.
A radiografia é o exame inicial e já identifica a maior parte das fraturas. A tomografia computadorizada detalha o traço da fratura e o comprometimento das estruturas ósseas, sendo essencial para avaliar estabilidade.
A ressonância magnética tem papel importante em duas situações: mostrar se há compressão de estruturas nervosas e identificar se a fratura é recente ou antiga — informação decisiva nas fraturas por osteoporose, já que apenas as recentes se beneficiam de determinados procedimentos.
Nos casos de fratura por fragilidade, a investigação da osteoporose faz parte do tratamento: densitometria óssea e avaliação metabólica, porque tratar apenas a fratura sem tratar a causa deixa o paciente exposto a novos episódios.
Nas fraturas estáveis, o tratamento conservador costuma ser suficiente: controle da dor, uso de órtese quando indicado, repouso relativo por período limitado e retorno progressivo às atividades com acompanhamento fisioterápico.
Quando a dor da fratura por osteoporose é intensa e não responde ao tratamento clínico, a vertebroplastia percutânea permite estabilizar a vértebra fraturada com uma injeção de cimento ósseo, por uma agulha, com alívio frequentemente rápido da dor.
Nas fraturas instáveis ou com comprometimento neurológico, a cirurgia é indicada para descomprimir as estruturas nervosas e estabilizar o segmento com implantes — procedimento que pode ser realizado por técnicas minimamente invasivas em muitos casos.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a consulta médica.
A animação abaixo demonstra a anatomia vertebral e as estruturas envolvidas nas fraturas da coluna.
Agende uma avaliação para definir o tratamento adequado ao seu caso.
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