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Síndrome facetária

Uma das causas mais frequentes de dor lombar crônica — e uma das menos conhecidas pelos pacientes.

Entre cada duas vértebras existem, além do disco, duas pequenas articulações localizadas na parte de trás da coluna: as articulações facetárias. São elas que guiam e limitam os movimentos, permitindo que a coluna se dobre e gire de forma controlada.

Como qualquer articulação do corpo, as facetas podem desenvolver artrose. A cartilagem que reveste suas superfícies se desgasta, a articulação inflama e passa a doer. Esse quadro é o que chamamos de síndrome facetária ou dor facetária.

É uma condição bastante comum e frequentemente subdiagnosticada. Estima-se que responda por uma parcela significativa dos casos de dor lombar crônica, especialmente em pacientes acima dos 50 anos.

Articulações facetárias inflamadas e degeneradas
Articulações facetárias inflamadas e degeneradas

Como se manifesta

A dor facetária tem um padrão bastante característico. Ela é tipicamente axial — ou seja, concentrada nas costas, sem descer pela perna como na hérnia de disco. Quando irradia, costuma ir apenas até a nádega ou a face posterior da coxa, raramente ultrapassando o joelho.

O paciente relata piora ao ficar em pé por longos períodos, ao estender o tronco para trás, ao girar o corpo e ao levantar-se de uma cadeira. A rigidez matinal é comum: leva de vinte a trinta minutos até que a coluna "solte" pela manhã.

Um detalhe que ajuda no diagnóstico: diferentemente da hérnia, a dor facetária costuma melhorar ao sentar ou ao inclinar o tronco para frente, posições que aliviam a carga sobre as facetas.

Processo inflamatório nas articulações facetárias
Processo inflamatório nas articulações facetárias

Por que acontece

A causa principal é o desgaste progressivo ligado ao envelhecimento. Mas existe um mecanismo importante por trás disso: quando o disco intervertebral degenera e perde altura, a carga que ele deixa de absorver é transferida para as facetas. Sobrecarregadas, elas se desgastam mais rapidamente.

Por isso a síndrome facetária raramente aparece isolada — ela costuma fazer parte de um processo degenerativo mais amplo do segmento. Traumas prévios, atividades com sobrecarga repetitiva em extensão e o excesso de peso também contribuem.

Diagnóstico

O diagnóstico da dor facetária é essencialmente clínico. O padrão da dor, os movimentos que a desencadeiam e a resposta a manobras específicas no exame físico são os principais elementos.

Os exames de imagem mostram a artrose facetária, mas aqui existe uma armadilha importante: alterações facetárias aparecem em quase todas as ressonâncias de pessoas acima de certa idade, muitas delas sem dor nenhuma. Encontrar artrose no exame não significa, por si só, que ela seja a causa dos sintomas.

É por isso que o bloqueio diagnóstico tem papel central nessa condição. Quando a aplicação de anestésico no nervo que inerva a faceta elimina a dor de forma significativa, isso confirma a origem do problema — e abre caminho para tratamentos mais definitivos, como a rizotomia.

Tratamento

O tratamento inicial é clínico. A fisioterapia é o pilar principal, com foco no fortalecimento da musculatura profunda que estabiliza a coluna e na melhora da mobilidade. A medicação anti-inflamatória ajuda nas crises, e o controle do peso reduz a carga sobre as articulações.

Quando a dor persiste, os bloqueios facetários guiados por imagem entram em cena com duplo papel: confirmam o diagnóstico e proporcionam alívio, muitas vezes por períodos prolongados.

Nos casos em que o bloqueio confirma a origem facetária mas o alívio não se sustenta, a rizotomia por radiofrequência é o passo seguinte. O procedimento interrompe a condução da dor pelo nervo responsável, com resultados que costumam durar de um a dois anos.

A cirurgia de fusão raramente é indicada exclusivamente por dor facetária, ficando reservada para casos em que há instabilidade associada comprovada.

Dr. Leonardo Stumm · CRM/RS 35867 · RQE/RS 30518 Ortopedista especializado em Cirurgia da Coluna Vertebral. Pós-Graduado em Cirurgia Endoscópica da Coluna Vertebral pelo Hospital Israelita Albert Einstein.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a consulta médica.

Veja como acontece

A animação abaixo demonstra as articulações facetárias e o processo inflamatório que gera a dor.

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